Complexo Ferroviário

A estação de 1881, a rotunda de 1882 e o Museu Ferroviário de São João del-Rei — tombados pelo IPHAN em 1989.

O trem não é uma atração isolada: ele parte de dentro de um dos conjuntos ferroviários mais completos que restaram no Brasil. Estação, oficinas, rotunda, pátios e material rodante formam o Complexo Ferroviário de São João del-Rei, tombado pelo IPHAN em 1989.

A estação

A estação de São João del-Rei foi inaugurada em 28 de agosto de 1881, na presença do Imperador Dom Pedro II, que chegou de trem vindo do Sítio, na Estrada de Ferro D. Pedro II. No mesmo ato foram inauguradas as estações de Sítio, Barroso e Tiradentes.

As três marquises da estação de São João del-Rei
As marquises de ferro da estação de São João del-Rei, inaugurada em 1881.

A rotunda

Construída em 1882, a rotunda é o galpão circular que abriga as locomotivas em torno da mesa giratória. Hoje faz parte do museu: as máquinas guardadas ali estão preservadas e expostas à visitação, mas não circulam mais.

São locomotivas a vapor de bitola 0,76 m, enfileiradas em leque — um conjunto que não existe reunido em nenhum outro lugar do país.

É na rotunda que fica também o vagão fúnebre, peça exclusiva da Oeste de Minas: um vagão destinado ao transporte de falecidos.

As locomotivas a vapor guardadas em leque na rotunda de São João del-Rei
As locomotivas preservadas em leque na rotunda, construída em 1882.

O Museu Ferroviário

Inaugurado em 1981, quando a Oeste de Minas completou cem anos, o museu reúne balanças, relógios, telefones, sinos, ferramentas e documentos da operação ferroviária — e a locomotiva EFOM nº 1, a primeira da ferrovia, construída pela Baldwin em 1880.

A locomotiva EFOM nº 1 no Museu Ferroviário
A locomotiva EFOM nº 1, a primeira da ferrovia, construída pela Baldwin em 1880.

O acervo

Além das locomotivas e do vagão fúnebre, o complexo guarda outros carros e vagões preservados, de tipos que deixaram de existir nas ferrovias brasileiras.

Carro de passageiros com sacada, no acervo
Carro de passageiros com sacada, preservado no galpão do acervo.
A locomotiva 62 no galpão do acervo
A locomotiva 62, preservada no galpão do acervo.

Por que a bitola de 0,76 m importa

A bitola estreita de 762 mm é a razão de tudo isso ter sobrevivido. Como nenhuma outra ferrovia ativa do Brasil usa essa medida, as locomotivas e os carros da Oeste de Minas não podiam ser transferidos para outras linhas nem substituídos por material mais moderno.

O que noutras ferrovias foi sucateado, aqui continuou trabalhando — e é por isso que o trecho está em operação ininterrupta desde 1881, o mais antigo do país.

Estação de São João del-Rei
1881
Rotunda
1882
Museu Ferroviário
1981
Tombamento pelo IPHAN
1989
Bitola
0,76 m (762 mm)